quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Yoga e Esportes

Tivemos recentemente os jogos finais do campeonato brasileiro de futebol, definição de times campeões, e times rebaixados para a divisão inferior. Festa, torcida, mas muito pancadaria e paixão desenfreada. O que isto tem em relação ao Yoga? Muito! Como nos aponta o Prof. Hermógenes, esta é uma sintomática que nos leva ao estresse, e a problemas daí decorrentes. A prática de esportes é muito bem vinda, e muito terapêutica, mas deve ser observada sua aplicação.

  Nos esportes prefira se puder o papel de jogador ao de torcedor. Pratique as formas que empreguem racionalmente os músculos; estimule a circulação; deem prazer; eduquem o espírito; treinem a coragem; que não sejam interessantes somente pela índole competitiva; que o levem ao ar livre, à luz do sol, finalmente à utilização inteligente de suas energias; que contribuam para aliviar tensões e inibições; que lhe ensinem a controlar a agressividade com respeito às regras convencionadas; que façam – sem que isto concorra para gerar ansiedade – ultrapassar-se a si mesmo; que não lhe esgotem os nervos e descontrolem o coração e a respiração; que não transformem você num bruto; que não lhe acentuem o sentido da rivalidade; que não o deprimam nas chamadas “derrotadas” nem lhe alimentem orgulho e vaidade nas chamadas “vitórias”; que não lhe absorvam tanto a ponto de desequilibrar o emprego do tempo que a família, a comunidade, a profissão, e o Estado esperem de você. A prática esportiva sofre algumas restrições em face da idade, do estado de saúde, clima, regime alimentar e outras. Procure conhecer tais limitações e as respeite, se não pretende cair em enrascadas. Tenha cautela com a insana modalidade dos “esportes radicais”, que gerem imenso estresse e total desprezo à vida dos que tem sede de adrenalina. Cuidado com o vício do exibicionismo!

  A pesca, a não ser o aspecto malsão de, por prazer, matar formas de vida, é uma atividade esportiva altamente indicada para os ansiosos. Os deprimidos, no entanto, devem praticar outra modalidade esportiva que requeira entusiasmo e muito movimento. Passeios a pé, montanhismo, remo e natação devem fazer parte do tratamento de pessoas nervosas, sejam deprimidas ou ansiosas.

  Agora, vamos considerar o esporte como fonte de emoção para quem está de fora. O torcedor é aquele sujeito encarrapitado na arquibancada ou pregado junto ao transmissor (rádio ou televisão), a acompanhar os lances de seu time ou de seu competidor preferido. Identifica-se inteiramente com um ou outro e goza ou sofre intensamente com o que se passa. Já alguém que a competição desportiva é uma guerra “de faz de conta”, envolve milhões de seres humanos, não somente os contentadores na arena. O torcedor é um combatente, que, empenhado na conquista da vitória, se deixa tomar de profunda ansiedade e, na perceptiva da derrota, cai presa de raiva, ansiedade ou medo. Ansiedade, prazer, raiva, medo e desgosto se sucedem no psiquismo e nas vísceras de quem, como torcedor, assiste a uma partida. Enquanto os contendores, travando o combate na quadra ou no ringue, expressam-se fisicamente e exercitam-se no plano muscular, o infeliz do torcedor somente com os nervos e glândulas o faz. Sua condição deplorável: exercício físico, nenhum; desgaste nervoso, tremendo. Imagine o que resulta daí...Haja estresse!

Hermógenes, Yoga para Nervosos, p. 264

Nenhum comentário:

Postar um comentário